Triste fim de um relacionamento que do beijo ao desesperao, ambos com paixão, pairava em questão de segundos. O amor se esvai, se vai e deixa uma ponta de saudade. Caminhamos para a apatia, a trivialidade dos assuntos comesinhos, do cotidiano, não falaremos mais de projetos, de "vida particular", de dificuldades e de sentimentalidades; mas por outro lado não nos estressaremos mais, não nos cobraremos mais, não nos culparemos mais pela infelicidade do outro e pela nossa, pelas dificuldades dos projetos, dos sentimentos e da vida particular; a partir de agora tenderemos a um nível de ódio aceitável entre os que vivem em sociedade e controlaremos à distância o que outro está fazendo de sua vida e para que norte segue seu vento, que não soprará nem mais contra, nem a favor de nossos movimentos.
Pensei que a separação não fosse um afastamento total como infelizmente acontece com a presença de um terceiro, exacerbando a mágoa e cultivando o sensação de que o tempo vivido foi todo jogado fora, mas jogamos fora tanto tempo de nossas vidas nos preocupando com bobagens, e junto com o tempo se vão tantos sentimentos, que alguns anos e um amor não é nada, é só um fragmento, um pedaço de algo que por vezes parece não valer a pena. Tudo se resolverá nas águas da vida que olhamos sem poder conter.
Continuaremos nos amando refletidos nos olhos de nossa filha. Não, não te quero mal, apesar de você saber o que penso de tão rápida capitulação emocional, mas também não te quero bem, devido ao que esse despreendimento relâmpago (se comparado ao que imagino de tempo necessário) escancara de sua personalidade; e essa apatia mútua borra a lembrança de um sentimento que poderia ser chamado de tudo, menos de apático.
Só te peço que pense no que suas ações vão gerar em mim quando for fazer qualquer coisa que envolva nossa filha (de quem tenho muita saudade a qual tento aplacar vendo-a todo dia), por mais prosaica que lhe pareça (como apresentar-lhe o terceiro para ela, como fizeste com minha filha emprestada), pois nós pensamos e agimos por motivações muito diferentes, portanto geramos reações muito diferentes no outro; e ela também sente através de mim, assim como de você, nos preservando estaremos preservando a ela, nossa maior cuidado e atenção nesta vida cheia de sentimentos diversos e complexos.
Imprima esta mensagem se quiser e guarde no envolope que até bem pouco tempo atrás você guardava com outras mensagens minhas e lacre, pois trata-se do último, e se tiver um instinto ritualístico queime o envelope na beira da praia e, se conseguir, derrame uma lágrima, ela te valerá uma vida.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Desde quando construir alguma coisa é menos excitante do que ficar na eterna espectativa de que a coisa se construa sozinha. A vida se constrói a si mesma desde que caminhemos pare passo com ela, se pararmos para assisti-la passivamente ela corre solta por caminhos que não mais percebemos, nem enchergamos e nunca mais alcançamos. Se la vie.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
O fim, para mim é uma eliminação do processo que desencadeu nele, o fim não é o término de um processo, mas a falta de sentido do começo, é como se não existisse o que acabou, como um alimento que é processado e eliminado e pelo qual temos um leve delente entre uma garfada e outra, o que remanesce é a sensação de que se gosta ou não se gosto do que comeu, do que aconteceu, do que se viveu, e uma certeza meio intangível de que talvez exista um elemento intimo profundo que some a minha personalidade sem concatenar propósitos e sentidos, inerte como uma pedra afundando num lago e cuja incursão nas aguas é rapidamente silenciada, assimilada e prontamente esquecida pela paisagem.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Acordei hoje com uma palavra na garganta. Bizarro, meio moderna, meio babaca, meio gotica, mas muito expressiva; é muito bizarro o ser humano e como ele se proteje e o tanto que foje e corre para lugar nenhum. Bizarro o sentimento quando assistimos a perda de sentimento dos outros, o vazio é bizarro. O poder ofendido, a culpa tacanha, o amor perdido.
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